A prática artística de Carol Lozove aprofunda-se nas intersecções entre o tempo, a memória latente e a opacidade da matéria física, ancorando-se nos princípios da filosofia transcendental para investigar os limites da percepção e os limiares da identidade. Por meio de um vocabulário visual movido pela desaturação, por contornos difusos e pela sobriedade de uma existência silenciosa, onde o silêncio estabelece uma pausa imperativa no fluxo de um tempo imaginário para resgatar o olhar voltado para dentro, a artista projeta superfícies pictóricas que tensionam as condições da alma diante da dissolução do ego.
Seu método desenvolve-se por meio de uma arqueologia reversa, onde o ritmo alquímico e a geometria estrutural servem como eixos para a transmutação da matéria. Em resposta à saturação do ruído visual e à volatilidade formal que regem a paisagem contemporânea, a produção de Lozove ergue-se como um manifesto intencional pela retomada da harmonia e da beleza estrutural. Nela, forças latentes e tensões são destiladas até que a espessura tátil e a densidade da matéria deem corpo à metamorfose: o instante exato em que a forma se converte em flor, emergindo sobre a rigidez do plano como um símbolo definitivo de restauração e ordenamento.
Ao renunciar à nitidez imediata e aos apelos saturninos do presente, seu trabalho consolida-se como um arquivo focado na manifestação do vácuo abundante e na emancipação da forma.